Hoje numa farmácia vi entrar um homem com uns cinquenta e poucos anos segurando cautelosamente o braço de um senhor que aparentava bem mais dos oitenta anos, creio até que deveria estar na casa dos noventa e tantos anos.
O homem ajudou o senhor a sentar-se numa poltrona dizendo em seguida "pai fique aí que vou comprar os remédios e volto já". Então ele se dirigiu ao balcão e de lá, sempre dando uma olhada para o pai, fez seu pedido. Depois de pagar e pegar os remédios ele se dirigiu ao pai e com toda paciência o ajudou a se levantar, saindo da farmácia no mesmo passo lento do pai até seu carro.
O fato acontecendo e eu parado só observando, tentando imaginar que qualidade de pai deve ter sido aquele senhor para merecer um tratamento tão carinhoso e paciente do seu filho. E olhe que o filho parecia um tipo de homem bem sucedido, daqueles cujas atitudes provavelmente deveriam ser por puro amor de filho para com o pai e não por interesse financeiro como tanto se ver nos dias de hoje.
Diz o ditado: "quem planta colhe", e provavelmente aquele senhor de idade avançada deve ter plantado sua semente em solo fértil e a regado com a mesma paciência e amor que agora recebia do seu filho.
Este senhor com toda certeza não é daqueles que ficam sentados numa cadeira, olhando velhas fotografias que o fazem lembrar-se daqueles que um dia cuidou, esperando pacientemente por uma visita ocasional de um filho. Isto sim é envelhecer com dignidade.
Francisco Diniz.








1 comentários:
Como sempre seus textos nos leva à reflexão, na maioria das vezes, em relação ao que somos e poderíamos ser. Mas este, especialmente, mostra como todos nós deveríamos agir com os nossos pais. Pois esses, com raríssimas exceções, são capazes de dedicar a nós, filhos, a maior parte do tempo de suas vidas para nos ensinar, cuidar e proteger, com paciência e amor, sem exigir nada em troca. Retribuir o que nos foi dado é o mínimo que deveríamos fazer.
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