Sempre quando chego do trabalho passo na caixa dos correios do edifício onde moro, pego as contas e em seguida coloco-as nas caixinhas de cada apartamento.
Faço isto devido ao fato que o edifício que moro é pequeno, com apenas seis apartamentos. Também pelo fato que já tive contas extraviadas ou molhadas pela chuva na caixa dos correios, pois ela não protege bem as correspondências.
Esta semana me surpreendi encontrando entre aquele monte de contas uma velha carta. Isto mesmo, uma velha carta como as que enviávamos e recebíamos antes dos e-mails.
Confesso que fiquei morto de inveja de quem ia receber esta carta e que quase cometo o pecado de abri-la, tal minha curiosidade. Peguei na carta, alisei, cheirei, observei a letra caprichada e desenhada que só os antigos conseguiam escrever por terem aprendido caligrafia nas escolas.
Por momentos fiz uma viagem maravilhosa ao tempo das cartas que recebia de minha família, amigos e namoradas quando morei fora de minha cidade. Com a carta em minha mão passei um tempão com pena de colocá-la na caixa a quem se destinava.
Depois de colocar a carta na caixa, subi ao meu apartamento imaginando o que poderia estar escrito nela e minha imaginação correu solta. Sinceramente adoraria poder mergulhar nas palavras e frases escritas por aquela letra bonita e legível que subscrevia à remetente e destinatária.
Pequenas coisas que se perderam nestes tempos da tecnologia, onde na frente de um computador em segundos encaminhamos para os nossos contatos as baboseiras que recebemos todos os dias por e-mail.
Até um e-mail escrito com conteúdo direcionado a quem recebe são raros. A impressão que me passa é que não é apenas falta de tempo para escrever algumas palavras aos nossos amigos. Na verdade, creio que as pessoas estão desaprendendo a se comunicar escrevendo e quando precisam se alongar num assunto um telefonema é mais fácil e resolve.
Francisco Diniz.








0 comentários:
Postar um comentário