25/05/12

O velho Rum com Coca.

Hoje eu passei em frente a um posto de gasolina que há muito tempo estava fechado e depois de uma reforma voltou às atividades.

Quando parei para dar uma calibrada nos pneus, lembrei-me que ao lado deste posto fui apresentado oficialmente quando tinha uns 15 anos aos prazeres do velho Rum com Coca.

Este posto ficava trás de minha rua e junto dele abriu um barzinho com música ao vivo. Creio que foi um dos primeiros barzinhos daqueles tempos, pelo menos no meu bairro.

É lógico que a turma logo se organizou para ir dar uma chegada lá e eu estava nessa. Peguei a minha maravilhosa mesada semanal, algo em torno hoje de uns R$20,00 e junto com a cambada de lisos fomos no sábado a noite ao barzinho dar uma paquerada nas meninas.

No meio dos lisos tinha os com mais de 18 anos e como eu era avantajado no tamanho também pude tomar o Rum com Coca, a bebida oficial das noitadas daqueles tempos. Nesta noite torrei minha mesada todinha com esta maravilhosa bebida e sem direito a tira gosto, pois ela não dava para tanto.

Durante os anos de contas rachadas com a cambada de lisos, pedíamos sempre o “Rum do Pirata Carta Branca” e muita coca. Esta foi minha bebida preferida durante muitas noitadas de farra até que finalmente, já trabalhando e com dinheiro no bolso, passei a tomar o cachorro engarrafado, o uísque.

Francisco Diniz.

20/05/12

Caminhada prazerosa.

Na busca de manter a saúde, nos últimos tempos fui obrigado a sair da inércia do sedentarismo e passei a fazer caminhadas.

Ando sempre que posso numa pequena praça perto do meu apartamento que foi transformada numa academia da cidade, um dos bons projetos posto na prática pela prefeitura de minha cidade.

Em outra postagem relatei uma contusão que tive quando comecei minhas caminhadas e depois de um alongamento a batata da minha perna direita pegou a “síndrome do elevador”, ou seja: Se forçar a caminhada ela se contrai e a sensação que tenho é que começa a subir e descer na minha perna. Desde o térreo um pouco acima do tendão de Aquiles, até a cobertura um pouco abaixo da parte de trás do joelho. Isto é uma loucura, pois o que dói não é mole.

Mesmo assim, com dor ou sem dor, vou alternando minha pouca disposição para exercícios e tenho feito as caminhadas tão necessárias. Todavia, tem uma caminhada que me dá um enorme prazer. A caminhada das manhãs dos sábados no Parque da Jaqueira, uma ilha de tranquilidade que fica bem no meio da parte mais valorizada da minha cidade e cercada por prédios que possuem vistas privilegiadas do parque.

Esta caminhada para mim acima de tudo é um grande momento relaxamento e nela deixo de lado as metas pessoais como quanto tempo ou quantas voltas vou dar. Lá isto não tem a menor importância, o que interessa é aproveitar a caminhada como se estivesse dando um longo passeio ao ar livre.

Faço esta caminhada ouvindo músicas de uma de minhas rádios prediletas que saem dos fones de ouvido do meu MP4. Ando tranquilo, sem competir com os outros caminhantes e absolutamente sem pressa de terminar minha caminhada. Ando pela pista de Cooper que serpenteia por entre árvores frondosas me proporcionando tanto o sol quente que me faz transpirar, como o refresco das brisas mornas que sopram debaixo das sombras destas árvores.

Cada trecho da pista tem seus aromas exalados pela variedade das árvores, gramados, guloseimas feitas na hora para as crianças como as pipocas e também os perfumes dos caminhantes que passam apressados por mim.

Neste parque existem ilhas separadas dentro deste pequeno paraíso. Em algumas, as crianças brincam nos brinquedos típicos das praças vigiadas pelos seus pais. Em outras, idosos sentados nos bancos tomando sol ou relaxando debaixo das sombras das árvores. Aqui e ali casais de namorados conversando, pessoas solitárias ou estudantes aproveitando o lindo dia para lerem seus livros à sombra das árvores. Noutras, famílias fazendo piqueniques como antigamente com suas toalhas forrando o chão e isopores cheios de guloseimas e bebidas geladas.

Enquanto isso eu vou caminhando sem pressa, ouvindo músicas e observando a beleza da vida que passa pelos meus olhos atentos. Graças a Deus a vida me brinda com estes sábados de exercício para meu corpo e principalmente de relaxamento para minha mente.

Francisco Diniz.

18/05/12

Essa eu ouvi. . .

E quem me contou jura que foi verdade.

Encenação da paixão de Cristo numa pequena cidade do interior deste Brasil. O prefeito é convencido por sua esposa bem mais nova que ele e que fazia o papel de Maria, a contratar um ator profissional e conhecido para fazer o papel de Cristo.

Logo que o ator chega o prefeito percebe que entre sua mulher e o ator o clima esquenta a cada ensaio. Então, num dos ensaios antes do espetáculo, o prefeito desconfiado ver escondido os dois no maior amasso num dos camarins. Extremamente irritado com os dois chifres que crescem em sua cabeça, prepara a sua vingança.

No dia do espetáculo veste-se de centurião tomando lugar de outro ator, e durante a crucificação baixa o cacete em chibatadas que tiram sangue do ator traidor. Este, aos gritos, abandona o espetáculo correndo em direção aos bastidores com o centurião, digo, o prefeito, correndo com uma peixeira na mão atrás do conquistador desavergonhado.

Neste momento na platéia dois matutos cheios de cachaça conversam entre si dizendo: Já vi de tudo nesta vida, mas, um centurião correndo atrás do Cristo com uma peixeira na mão é a primeira vez que vejo. Desse jeito o Cristo vai morrer antes de ser crucificado!

Coisas deste Brasil maravilhoso!

Francisco Diniz.

14/05/12

Tradução do "PAI NOSSO", a partir do Aramaico:

Pai-Mãe, respiração da Vida, Fonte do som, Ação sem palavras, Criador do Cosmos!
Faça sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós para que possamos torná-la útil.
Ajude-nos a seguir nosso caminho Respirando apenas o sentimento que emana de Você.
Nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu, para que caminhemos como Reis e Rainhas com todas as outras criaturas.
Que o Seu e o nosso desejo sejam um só, em toda a Luz, assim como em todas as formas, em toda existência individual, assim como em todas as comunidades.
Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós, pois assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo.
Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iluda e nos liberte de tudo aquilo que impede nosso crescimento.
Não nos deixe sermos tomados pelo esquecimento de que Você é o Poder e a Glória do mundo, a Canção que se renova de tempos em tempos e que a tudo embeleza.
Possa o Seu amor ser o solo onde crescem nossas ações.
AMÉM!

12/05/12

O passado.

O passado é como aquela gaveta que a tempo não abrimos. Então um dia abrimos e nos deparamos com velhos álbuns de fotografias cheios de recordações.

Neste momento fazemos uma longa viagem há este tempo, na certeza que no passado éramos mais felizes.

Esquecemos que naqueles tempos o nosso futuro era bem maior que nosso passado e nele podíamos e teríamos tempo para cometer erros e concertá-los, mesmo vivendo intensamente.

Algumas pessoas quando fazem essa viagem ao passado, tentam trazê-lo para o presente do jeito que eram na esperança de viver novamente as mesmas emoções. Então em determinado momento a ficha cai e percebem que as pessoas do passado mudaram. Algumas mudaram para melhor, evoluíram e cresceram. Outras pararam no tempo ou mudaram para pior e isso traz a decepção.

O ser humano com o passar dos anos tem dois caminhos a seguir: O primeiro é o da evolução pelo aprendizado e vivência. O segundo é ficar parado no tempo deixando a vida passar, com seus defeitos sendo potencializados. Quando o tempo, senhor da vida, passa e nós não tentamos nos melhorar a vida é madrasta.

As lembranças do passado nos remetem aos tempos vividos sem o peso da responsabilidade e com a permissividade da liberdade. Então para que possamos viver o presente saudáveis, o passado deve permanecer lá no seu lugar.

É necessário que vivamos o presente e nele sejamos felizes, pois a vida continua e dentro de alguns anos o hoje também será passado. Neste momento mais uma vez encontraremos na gaveta as fotografias dos momentos que vivemos hoje. O presente será o passado e esta é a lei da vida.

Nela às horas, dias, semanas, meses, anos e décadas passam inexoravelmente por nós e nada mudará isso. Portanto devemos viver o presente esperando pelo futuro e deixar o passado em seu lugar, pois lá estará seguro, imutável e sempre a disposição para ser visitado por nossas lembranças.

Os que vivem mergulhados nas recordações do passado esquecendo de viver e dar valor ao presente perde a oportunidade de viver um futuro feliz.

Viver o hoje é tão importante como nos lembrar saudavelmente do passado, cada um no seu lugar e significado.

Francisco Diniz.

05/05/12

A Lua.

Eu sempre achei que a Lua era um astro feminino. Talvez por ser terna e ilumine as noites com a permissividade da penumbra, motivo pelo qual sempre inspirou os poetas.

Hoje é o dia onde a Lua, segundo ouvi, é a maior deste ano. É lógico que, como admirador que sou, esperei ansioso o dia se acabar para me deliciar com o que meus olhos iriam ver. Não me decepcionei, pois fui presenteado com a mais linda Lua dos últimos tempos.

Como moro numa cidade onde na maior parte do tempo o céu é limpo e sem poluição, foi puro deleite vê-la por inteiro da janela de meu apartamento. A sensação que senti foi como se ela, amante desejosa, estivesse de braços abertos me chamando para me entregar as suas carícias.

Quando era jovem eu sempre gostei da noite e dos seus encantos. Não é a toa que a Lua sempre provocou e provocará sensações únicas aos amantes da noite.

Hoje, vendo-a majestosa da janela do meu apartamento, não tive como não sentir saudades dos tempos que trocava o dia pela noite e dos momentos deliciosos que vivi tendo-a como testemunha.

Foram tempos mágicos, únicos e inesquecíveis que hoje guardo nas minhas memórias. A Lua foi para mim, é para os jovens de hoje e continuará sendo para aqueles que um dia viverão nas noites momentos de paixão e desejo.

A Lua é a maior e melhor das amantes que qualquer homem pode ter!

Francisco Diniz.

27/04/12

Meu primeiro carro.



Quando tinha meus 15 anos sonhava em ter um Fusca 1968. Este era o carro dos rapazes na faixa dos vinte anos que moravam no meu bairro e já estavam na faculdade.

Os caras que a garotas dos 15 anos em diante suspiravam. Eles, com seus Fuscas 68, viviam se mostrando dando cavalos de pau e as deixando enlouquecidas.

Todos os sábados eu ficava babando vendo-os dando um trato no carro, com direito a lavagem caprichada e cera, que os deixavam brilhando. Eu ficava imaginando que a noite eles iriam dar umas voltas com as garotas enquanto eu iria de ônibus para as festas.

Até hoje não sei o motivo porque o Fusca tinha que ser um ano 1968, o famoso “Fusca 68”. Os Fuscas anos 67, 69 ou outro qualquer não tinham vez. Eram carros equipados com rodas esportivas, chamadas de tala larga, que os deixavam com jeito de carro esporte.

Como eu sonhei um dia ter uma carro desses, mas, com 15 anos estava totalmente fora de cogitação.



O tempo passou e aos 18 anos, já trabalhando e estudando, comecei a pensar na possibilidade de ter um Fusca 68, porém, o preço era bem maior que meus sonhos podiam pagar.

Um dia soube por um amigo, que seu pai iria vender seu fusca. Um legitimo Fusca 66 seis volts, que ele tinha desde zero. O preço estava mais ou menos dentro do valor das minhas economias e a diferença que faltava, poderia pedir para o dono facilitar.

Tomei coragem e fui falar com o pai de meu amigo. Então ele me disse que não me venderia o carro porque tinha motor 1200 seis volts e muitos anos de uso. Disse que ele me deixaria frustrado e logo arrependido pela compra, pois, na minha idade, precisava de um carro mais possante e o dele andava se arrastando.

Fiquei decepcionado com a recusa dele em vender o Fusca 66 e adiei meu sonho.


Um ano depois finalmente consegui comprar meu primeiro carro. Desta vez fui ajudado por um afilhado de minha avó que negociava com tudo que aparecesse em sua frente.

Ele convenceu a minha tia a me emprestar o dinheiro que me faltava e me vendeu o Fusca 1500, ano 1975. O famoso “Fuscão 1500”. Para nos convencer, dizia que era um carro mais possante e forte. Só não nos disse que pulava a quarta macha, vazava óleo e que estava muito rodado. Literalmente "assado"!

O resultado é que o cidadão enganou de uma vez um inocente comprando seu primeiro carro e uma tia que de carro só entendia em sentar-se na cadeira de passageiro.

Mesmo assim até hoje não me esqueço do meu Fuscão 1500 verde, pois, com ele vivi aventuras fantásticas e incontáveis neste blog.

Saudades do meu primeiro carro!


Francisco Diniz.

25/04/12

A arte da convivência.

Sempre que ouço as pessoas dizendo que vivem com alguém me lembro de uma palestra que participei cujo tema era a arte da convivência.

Esta palestra foi dada numa empresa que trabalhei e foi abordada a convivência dentro do mundo corporativo. Um mundo onde os relacionamentos pessoais, se não forem bem administrados, podem dificultar tanto o crescimento das empresas como das pessoas que dela fazem parte.

Trazendo o tema para fora do mundo corporativo, procurei adaptar o que me foi ensinado nesta palestra de forma a conviver com mais facilidade com as pessoas. Sinceramente, poucas vezes consegui manter o ato da convivência dentro dos moldes técnicos que aprendi.

Na vida real dos relacionamentos observo que as pessoas se projetam nas outras, cobrando como elas acham que as outras pessoas devem agir em relação as suas vontades. Deixam de lado o respeito à individualidade do outro para praticarem o egoísmo da propriedade.

Mas como conviver com os outros sem desrespeitar as suas individualidades?

Nós nascemos sozinhos e um dia também morreremos sozinhos, mesmo os gêmeos nascem um de cada vez e não existe nínguem que queira morrer para acompanhar o outro. Num acidente fatal, como tantos que vemos nos telejornais onde todos ou muitos morrem, não existe uma única pessoa que morra na mesma fração de segundo de outra. Esta é a lei da vida, cada um vive e morre individualmente.

Só resta então aprendermos a conviver com os outros respeitando as suas individualidades e convivendo com as duas faces que cada ser humano possui, ou seja: Suas qualidades e defeitos.

Esta é a arte da convivência!

Francisco Diniz.

21/04/12

Velhas amizades.

De vez em quando a vida nos proporciona o reencontro por acaso com pessoas que passaram por nossa vida há muitos anos.

Pessoas que o destino colocou em caminhos diferentes e que durante anos ficaram sem notícias umas das outras. Tenho certeza que isso faz parte da vida daqueles que já viram muita água passar por baixo da ponte de suas vidas.

Um dia li uma frase do escritor Frances, Atoine de Saint-Exupéry (autor do livro O Pequeno Príncipe, lido por nove entre dez meninas da minha juventude) que dizia: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

As pessoas passam por nossas vidas sem saber como deixaram marcas e quando o destino nos proporciona a sorte de as reencontrarmos, então vêm as nossas lembranças a importância que elas tiveram. Isto acontece em qualquer tipo de relação, desde as de amizade até as amorosas.

A vida é assim, as pessoas passam e um dia, como nas marés, voltam como velhas cartas enfiadas numa garrafa e jogadas ao mar. Estes reencontros são muito importantes nas vidas das pessoas, pois fazem com que elas por instantes se lembrem de um passado esquecido nas gavetas de sua memória.

Bendita a vida que proporciona esses momentos de reencontro com velhas amizades e benditas as pessoas que têm o privilégio de ter tido alguém que um dia foi importante em sua vida.

Francisco Diniz.

17/04/12

Embalos nos anos 70.

Estes anos talvez tenham sido os melhores anos de minha vida. Neles vivi intensamente minha adolescência e início de minha juventude. Foram anos fantásticos e para descrevê-los precisaria de pelo menos horas escrevendo sem parar.

Foram os anos dos assustados nas garagens das casas, das festas nos clubes, das primeiras namoradas, das primeiras paixões e também dos primeiros amores. Afinal, como todos, também tive um primeiro suposto amor. Um daqueles que como diz o poeta, foi eterno enquanto durou.

De todas as coisas que vivi nestes idos e maravilhosos anos, sem dúvida as melhores foram os embalos dançantes das noites de sexta e sábado. Eram absolutamente maravilhosas e inesquecíveis. Hoje, um deleite para minhas recordações.

Nesta época eu tinha três amigos que juntos formávamos o quarteto dos aventureiros. Como nos chamávamos por apelidos, posso citá-los sem comprometê-los.

Um deles nós o chamávamos de "Mago" e o motivo era por ser um daqueles magros de ruim. Um cara de primeira qualidade e que até hoje é meu amigo. Nós torcíamos pelo mesmo time, durante algum tempo estudamos na mesma escola e mesma sala de aula. Tivemos namoradas cujos nomes eram iguais e até namoramos duas irmãs ao mesmo tempo. Diga-se de passagem, duas pessoas que foram importantes em nossas vidas naqueles tempos.

Outro era um Paulista que veio morar no Recife e se juntou a nossa turma. Nós o apelidamos de "Pantera" por ele andar igual à pantera cor de rosa do desenho animado. Era uma cara bom que da mesma forma que entrou na nossa vida, saiu sem dar notícias.

Por último, o mais velho de todos, chamávamos pelo apelido de "Abutley", não estranhem a gráfia. Este apelido foi dado por ele gostar de frequentar às gafieiras onde dizia que nelas encontrava uma carne mais velha, porém mais fácil de conseguir pegar.O Abutley já trabalhava e sempre tinha dinheiro, quanto ao resto de nós éramos uns duros que sobreviviam das pequenas mesadas que recebíamos.

Para irmos às festas nos clubes como Internacional, Português e Sport, nós tínhamos que juntar esforços. Íamos de ônibus e geralmente voltávamos para casa a pé pelas altas horas da madrugadas do Recife. Isto porque gastávamos todo dinheiro que levávamos com o “velho Rum com coca” e como naqueles tempos não existia tanta violência como hoje, isso era possível.

Nas festas nós rachávamos a conta e dançávamos até quando elas terminavam. Para dançar era preciso tirar as garotas para dançar, isto significava chamá-las e correr o risco de levar um não. Sem falar que como naqueles tempos tocavam muita música lenta para se dançar coladinho, se elas não fossem com nossa cara colocavam os cotovelos entre seus seios e nosso peito, o famoso “cavalo de pau”, para evitar que nós déssemos um arrocho nelas.

Por outro lado quando iam com nossas caras o arrocho corria solto e se tivéssemos sorte, seriamos contemplados com beijos cheios de desejos limitados. Naqueles tempos não era como hoje que os beijos quase sempre terminam numa cama.

Por falar em cama, ou seja, sexo, este era nosso maior problema. Ir para cama com uma mulher só se fosse daquelas que frequentavam as gafieiras que o Abutley às vezes nos levava ou quando íamos às casas onde como dizia meu amigo Mago: Frequentavam as meninas boas das famílias ruins!

Como éramos um quarteto de lisos, no máximo com dinheiro suficiente para rachar a conta. Na maioria das vezes voltávamos para casa com uma dupla dor de cabeça. Uma devido ao Rum e outra por causa do esfregado nas garotas enquanto dançávamos embalados pelas musicas lentas e românticas, o que chamávamos de tirar um sarro.

Bons tempos os dos embalos nos anos 70!

Francisco Diniz.

10/04/12

Fico com Deus.

Como ocidental fui criado no cristianismo, para ser mais exato no catolicismo. Durante toda minha infância e parte da adolescência todo sábado ia com minha mãe e avó assistir a missa. Naqueles tempos este costume fazia parte da maioria da população católica.

Até que chegou um tempo que não tinha mais motivação. Estava cansado da rotina do ritual das celebrações das missas, onde praticamente repetia com o padre todas as palavras que ele dizia nas celebrações das missas.

Um dia fui levado por amigos ao espiritismo. Eles me diziam que lá encontraria as respostas que procurava para compreender os sofrimentos desta vida e finalmente encontraria a paz. Ledo engano, das reuniões espíritas saia profundamente deprimido. Nelas só se falava na vida após a morte, enquanto eu queria era as respostas da vida que estava vivendo.

Um dia ganhei de presente uma bíblia de um pastor conhecido. Como sempre gostei de ler, a li por inteiro. No entanto, sem o conhecimento teológico, pouco entendi. Entendi apenas o “Novo Testamento” com as mensagens deixadas por Jesus Cristo, que eu já ouvira em retalhos nas missas. Passei então a ir vez por outra aos cultos evangélicos e mais uma vez não me completei.

Percebi que os pastores faziam uma montagem de várias partes da bíblia, não importando se estavam no “Velho Testamento, Novo Testamento, Apocalipse” etc. O que importava é que juntos, como num quebra-cabeça, formasse uma base coerente da sua pregação. É lógico que, devido à capacidade e qualidade de orador do pastor, eu ficava com a sensação de paz ao sair do culto.

Até que um dia observando como as pessoas que estavam na igreja reagiam, principalmente quando um pastor menos competente e sem o “Don da palavra” fazia uma pregação morna. Elas ficavam da mesma forma dos da igreja católica da minha juventude, sonolentas e de vez em quando olhando o relógio para ver quanto tempo faltava para o culto terminar.

Daí a fazer comparações dos pastores, padres e as pessoas comuns foi um pulo. Principalmente com os noticiários dos jornais, rádios e televisões que os desmascaravam e os colocavam na condição de homens comuns sujeitos aos mesmos defeitos e pecados.

Então o que fazer para exercitar minha necessidade de estar junto de Deus?

Foi aí que descobri minha forma de procurar a Deus. Resolvi procurá-lo individualmente e para isto não precisaria seguir nenhuma religião. Passei então a rezar, orar e principalmente conversar com Deus na minha intimidade.

Isto fez com que muitas vezes acalmasse minhas ansiedades e aceitasse o que a vida me oferecia. Não que muitas vezes não continuasse me sentindo a deriva, mas, sempre encontrava um porto seguro para me agarrar e este porto se chamava a minha fé em Deus.

Deus então se tornou meu pai e é com ele que sempre conto. Sei que às vezes não faço por merecer ser ouvido ou atendido e sou castigado. Todavia, nas minhas orações em muitas ocasiões sinto que ele me ouve e me mostra os caminhos que devo seguir.

Um dia passei a falar de Deus para as pessoas que eu acreditava estarem precisando de Deus. Isto somente quando elas queriam ouvir para não ser inconveniente. Passei a falar não do Deus das igrejas e sim do Deus que descobri. Um Deus que está ao alcance de todos, bastando ter fé e confiança nele. Adotei a pratica de quando me despedir das pessoas ao invés de dizer um até logo, dizer sempre um “Fique com Deus”.

Entre as religiões e as igrejas eu fico com Deus!

Francisco Diniz.

07/04/12

Alvirrubro com muito orgulho.

Hoje faz 111 anos da fundação do Clube Náutico Capibaribe, o meu Náutico. Digo meu Náutico, pois só torço por ele e não tenho essa de ter um segundo time.

Eu gosto de futebol e assisto na televisão aos bons jogos que valem a pena serem assistidos, independentes dos times que estiverem jogando. Para mim um bom jogo de futebol é um divertimento, um lazer.

Fui levado a torcer pelo Náutico indo ao campo com um tio Alvirrubro, que vez por outra me levava ao Estádio do Aflitos, lugar sagrado para os verdadeiros Alvirrubros.

Tive a sorte estar presente com meu tio, na velha geral junto ao placar “Balança mais não cai”, na final da maior de todas as vitórias do meu Náutico, o hexa campeonato conquistado entre os anos de 1963 a 1968.

Desde então passei a frequentar aos jogos do Náutico e com saudade me lembro do tempo que podia assistir aos grandes clássicos contra o Santa Cruz e o Sport. Um tempo onde as torcidas entravam e saiam dos estádios juntas e se sentavam nas arquibancadas lado a lado, sem que se enxergassem como inimigos mortais de uma guerra.

Éramos somente companheiros de divertimento juntos num jogo de futebol. Isto não significava que não houvesse pequenos desentendimentos e muita gozação entre os torcedores, mas raramente passava disto.

Infelizmente com o aparecimento das torcidas organizadas, da violência nos estádios e agora também fora deles, fui obrigado à só ir ao campo em jogos de uma só torcida. Jogos do Náutico contra times de fora do estado que não tenham torcida perto de minha cidade ou contra os times do meu estado que não têm uma torcida, os ditos “times pequenos”.

Eu e meu filho adolescente infelizmente somos impedidos de ir ao estádio assistir a um grande clássico e nos limitamos a assisti-lo na segurança da frente de uma televisão. No entanto, como tudo neste meu amado Brasil é devagar, espero que ainda possa um dia voltar a assistir um clássico no campo com meu filho ou quem sabe, se Deus me permitir, com meus netos.

Sou Alvirrubro com muito orgulho, o mesmo de ser Brasileiro, Nordestino, Pernambucano, cidadão do Recife e isso nunca mudará.

Francisco Diniz.

31/03/12

Fim de dia.

Mais um dia que termina com o transito cheio de engarrafamentos e uma vontade enorme de chegar logo em casa, tomar um bom banho, vestir uma roupa bem confortável, jantar e descansar.

Esta vida que levamos está tão agitada que os dias, semanas, meses e anos parecem que estão menores. O ontem e o amanhã estão sendo vividos no hoje e o futuro, antes tão longe, cada dia está mais perto. Qualquer dia desses de tanto corrermos o futuro se tornará presente e não teremos mais com o que sonhar, viveremos apenas o hoje.

Este é o preço que pagamos pela evolução humana e por tudo que ela tem trazido. O preço de estarmos tão envolvidos nas nossas inúmeras e estafantes tarefas cotidianas, que nem percebemos que a vida está passando por nós e não estamos vivendo-a como deveríamos ou gostaríamos.

Nos meus sonhos gostaria levar uma vida menos agitada, mais calma e com tempo para viver sem tanta correria. Ter mais tempo para viver as coisas simples da vida, aquelas que não têm preço como uma boa conversa com amigos, uma caminhada tranquila numa praça ou na praia, assistir o por do sol, contemplar a natureza etc. Tempo de viver o dia calmamente, minuto a minuto sem pressa, pois, o dia só se completa com os sonhos da noite!

Francisco Diniz.

29/03/12

Gasolina.

“Tudo isso em apenas 15 dias”.

Abasteci em Recife com gasolina aditivada ao preço de R$2,49 o litro e viajei para alagoas. Lá abasteci com gasolina comum ao preço de R$2,86 o litro.

Retornando ao Recife abasteci novamente com gasolina aditivada ao preço de R$2,49 o litro e viajei para Paraíba. Lá abasteci com gasolina comum ao preço de R$2,39 o litro.

Retornando ao Recife fui abastecer no mesmo posto de sempre e a gasolina aditivada agora estava ao preço de R$2,76 o litro. Corri a um velho posto sem bandeira conhecido, onde me socorro nessas horas, abastecendo com gasolina comum ao preço de R$2,46 o litro.

Hoje retornei ao posto da gasolina aditivada e o preço do litro permanecia a R$2,76 o litro. Então corri novamente ao velho posto sem bandeira e o preço era o mesmo. Quando reclamei do frentista, velho conhecido, já me preparando para ir embora ele me disse que dava um desconto e a gasolina custaria R$2,60 o litro.

A sacanagem dos cartéis dos combustíveis deste país me trás saudades do tempo quando os combustíveis tinham seus preços tabelados pelo governo. Pelo menos neste tempo quem queria economizar uns trocados fazia fila para abastecer antes dos aumentos, geralmente anunciados a noite nos jornais televisivos.

Dá forma que está a sensação que fica é que estamos sempre sendo lesados pelos sacanas que controlam os preços dos combustíveis.

Assim não dá!

Francisco Diniz.

14/03/12

Agradeça a Deus.

Agradeça por mais um dia de hoje em sua vida, ele é um presente de Deus.

Agradeça pelo dia de ontem e também pelo dia de amanhã, deve confiar no amanhã para poder vivê-lo.

Agradeça pela sua saúde, de sua família, de seus amigos e colegas.

Agradeça pelos amigos e colegas que tem e pelos que ainda irá conquistar durante toda sua vida, mas não esqueça daqueles que ainda não são seus amigos ou colegas.

Agradeça por cada vitória ou derrota que teve na vida. As vitórias lhe trouxeram alegrias e satisfação e as derrotas trouxeram a experiência, um legado inigualável.

Agradeça pela comida que têm em sua mesa todos os dias, não reclame. Rogue a Deus que todos tenham pelo menos o mesmo que você tem.

Agradeça pelas oportunidades que a vida tem lhe proporcionado e pelas muitas que ainda lhe proporcionará, mas não esqueça que tem que aprender a esperar e saber dar valor quando chegar.

Agradeça a Deus por tudo que tem recebido e procure todos os dias se melhorar como ser humano.

A vida é um eterno aprendizado, então aproveite e aprenda.

Francisco Diniz.

03/03/12

O sertanejo.

Estava numa loja de uma pequena cidade do sertão Pernambucano, esperando para ser atendido, quando entra e senta-se ao meu lado um senhor de idade bem avançada.

Ele era magro e pequeno, parecendo ainda menor por andar curvado devido a um desvio em sua coluna.

Estava vestido com uma daquelas roupas domingueiras, que os que moram nos sítios usam quando vão à cidade aos domingos para ir à missa ou para resolver algum problema. Vestia uma camisa de manga comprida cinza de algodão bem grosso, uma calça de tecido marrom, uma alpercata de couro e sobre a cabeça um chapéu de couro cru, típico dos sertanejos. Nos seus olhos via-se que sofria de catarata e seus óculos eram muito gastos devido ao tempo que os usava.

Logo puxei uma conversa e aos poucos, vencida sua timidez, fui conseguindo dele um depoimento resumido da história de sua vida.

Contou-me que tinha 86 anos completos e que começou a trabalhar na enxada aos cinco anos de idade, levado pelo pai, para capinar o mato na roça de milho. Na lida do dia só parava para beber água e comer o almoço que o pai levava para os dois. Mal terminava de colocar o último bocado de comida na boca e o pai já mandava pegar a enxada e voltar a capinar o mato do roçado.

Era tão minguado que, quando chegavam ao fim da tarde na sua casa, os seus pulsos estavam latejando de dor. Então sua mãe passava sebo misturado com ervas maceradas para aliviar as dores, pois, só assim ele conseguia dormir.

Todo dia era a mesma coisa, durante toda sua infância e por ser o mais velho o pai não aliviava. Não tinha dia santo nem feriado, todo dia era dia de pegar na enxada e ir para a roça capinar.

Até que um dia sua mãe morreu deixando sete irmãos. Passado algum tempo, o pai se casou com outra mulher e depois disso amansou um pouco para seu lado. Mesmo assim, continuou na mesma lida durante todos os dias de sua infância e adolescência até o dia que, já um rapaz, arranjou uma namorada e com ela casou-se, teve filhos e permaneceu casado por mais de cinquenta anos, até a sua morte.

Hoje ele continuava vivendo na mesma casa no sítio, onde com sua mulher e seus filhos ganharam o sustento. Agora, essa tarefa era dos filhos que não foram para a capital e dos netos. Disse que hoje vivia da aposentadoria que o governo dava para os homens da zona rural e assim levada a vida até o dia que Deus o levasse para junto de seus pais e sua mulher.

Esta é uma história comum, de um homem comum, como muitos que me deparo pelas estradas da vida do meu sertão amado. Pena que para muitos eles sejam considerados uns pobres coitados, que só sobrevivem à custa da bondade do governo, retirada dos impostos que pagamos.

Nós que moramos confortavelmente em apartamentos e casas próprias ou alugadas, que dirigimos carros de luxo ou populares, que somos empregados na iniciativa privada ou donos de nossas próprias empresas, que trabalhamos para o governo como funcionário público, será que gostaríamos de trocar de vida com um cidadão brasileiro simples como este que relatei sua história de vida?

Francisco Diniz.

24/02/12

A carta.

Sempre quando chego do trabalho passo na caixa dos correios do edifício onde moro, pego as contas e em seguida coloco-as nas caixinhas de cada apartamento.

Faço isto devido ao fato que o edifício que moro é pequeno, com apenas seis apartamentos. Também pelo fato que já tive contas extraviadas ou molhadas pela chuva na caixa dos correios, pois ela não protege bem as correspondências.

Esta semana me surpreendi encontrando entre aquele monte de contas uma velha carta. Isto mesmo, uma velha carta como as que enviávamos e recebíamos antes dos e-mails.

Confesso que fiquei morto de inveja de quem ia receber esta carta e que quase cometo o pecado de abri-la, tal minha curiosidade. Peguei na carta, alisei, cheirei, observei a letra caprichada e desenhada que só os antigos conseguiam escrever por terem aprendido caligrafia nas escolas.

Por momentos fiz uma viagem maravilhosa ao tempo das cartas que recebia de minha família, amigos e namoradas quando morei fora de minha cidade. Com a carta em minha mão passei um tempão com pena de colocá-la na caixa a quem se destinava.

Depois de colocar a carta na caixa, subi ao meu apartamento imaginando o que poderia estar escrito nela e minha imaginação correu solta. Sinceramente adoraria poder mergulhar nas palavras e frases escritas por aquela letra bonita e legível que subscrevia à remetente e destinatária.

Pequenas coisas que se perderam nestes tempos da tecnologia, onde na frente de um computador em segundos encaminhamos para os nossos contatos as baboseiras que recebemos todos os dias por e-mail.

Até um e-mail escrito com conteúdo direcionado a quem recebe são raros. A impressão que me passa é que não é apenas falta de tempo para escrever algumas palavras aos nossos amigos. Na verdade, creio que as pessoas estão desaprendendo a se comunicar escrevendo e quando precisam se alongar num assunto um telefonema é mais fácil e resolve.

Francisco Diniz.

10/02/12

Quem planta colhe.

Hoje numa farmácia vi entrar um homem com uns cinquenta e poucos anos segurando cautelosamente o braço de um senhor que aparentava bem mais dos oitenta anos, creio até que deveria estar na casa dos noventa e tantos anos.

O homem ajudou o senhor a sentar-se numa poltrona dizendo em seguida "pai fique aí que vou comprar os remédios e volto já". Então ele se dirigiu ao balcão e de lá, sempre dando uma olhada para o pai, fez seu pedido. Depois de pagar e pegar os remédios ele se dirigiu ao pai e com toda paciência o ajudou a se levantar, saindo da farmácia no mesmo passo lento do pai até seu carro.

O fato acontecendo e eu parado só observando, tentando imaginar que qualidade de pai deve ter sido aquele senhor para merecer um tratamento tão carinhoso e paciente do seu filho. E olhe que o filho parecia um tipo de homem bem sucedido, daqueles cujas atitudes provavelmente deveriam ser por puro amor de filho para com o pai e não por interesse financeiro como tanto se ver nos dias de hoje.

Diz o ditado: "quem planta colhe", e provavelmente aquele senhor de idade avançada deve ter plantado sua semente em solo fértil e a regado com a mesma paciência e amor que agora recebia do seu filho.

Este senhor com toda certeza não é daqueles que ficam sentados numa cadeira, olhando velhas fotografias que o fazem lembrar-se daqueles que um dia cuidou, esperando pacientemente por uma visita ocasional de um filho. Isto sim é envelhecer com dignidade.

Francisco Diniz.

09/02/12

Vivendo e aprendendo.

Tem uma frase que já ouvi várias vezes e quanto mais a escuto, mais acredito que ela é a pura verdade. Diz ela: “Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos cachorros”.

Também já ouvi que se alguém jogar dinheiro no chão e passar um cachorro por perto ele nem vai olhar para o dinheiro, mas, se fizer o mesmo e passar um homem o resultado provavelmente será outro.

Em minha vida, mesmo me orgulhando do fato de ser um observador das reações humanas, muitas vezes acontecem fatos que me fazem desacreditar no “bicho homem”. Nestas ocasiões sou pego de surpresa com atitudes inimagináveis de pessoas que jamais esperaria uma atitude diferente das suas características pessoais, pelo menos as que eu imaginava que possuíam.

Quando isto acontece só me resta absorver o fato e mais uma vez tentar tirar uma lição do que vi ou fiquei sabendo. O homem é tão imperfeito que consegue sempre surpreender de forma diferente, por isso sempre procurei não me dar o direito de julgar. Quando muito, apenas observar e aprender com o que vejo pelos caminhos da vida. Quem sabe assim em outra ocasião não me surpreendo com um fato igual ou parecido.

Afinal é vivendo que se aprende!

Francisco Diniz.

08/02/12

Cafólatra.

O café é de longe a bebida que mais me traz prazer em tomar. Antes de tomá-lo já me delicio com aroma que deixa na casa quando está sendo coado. Quando estou tomando me desmancho em seu gosto e aroma, gosto principalmente do gosto que deixa na boca depois que termino de tomá-lo. Um gosto único que me trazem minutos maravilhosos de satisfação. Sou definitivamente um cafólatra!
Minha relação com o café vem desde minha infância, nem sei que idade tinha. Só me lembro que minha avó me dizia que café para criança não era bom e dava insônia. Então para satisfazer meus caprichos teimosos querendo tomar café, ela me fazia um maravilhoso leite com café. Isso mesmo, leite com café. Era um pingo de café e o resto puro leite de vacaria que era entregue em garrafa de vidro todas as manhãs na porta de casa pelo “Zé do Leite”.
Minha avó fervia o leite e utilizava duas canecas de alumínio onde ficava derramando o leite com café e açúcar de uma caneca para outra. Fazia isso até se transformar numa maravilhosa mistura morna, cremosa e espumante de leite com café. Eu me deliciava tomando acompanhado por uma generosa fatia de bolo de trigo simples e sem cobertura. Em minha casa todos os dias tinha este tipo de bolo, que era chamado de bolo para comer com café.
O tempo passou e um dia terminei indo estudar e morar em São Paulo onde acabei de me viciar no café. Lá, todos os dias durante a semana, eu tomava pelos botecos e padarias da vida vários cafés fortes servidos em copos de vidros ou o café expresso, uma novidade para mim. Nos fins de semana eu ia estudar na casa de uma amiga onde o estudo se misturava com varias “paradas estratégicas”, para tomarmos um bom e forte café passado na hora.

Daí em diante continuei cultivando este hábito que me traz tanto prazer. Tomo café profissionalmente e o dia para mim começa, continua e termina sempre com uma boa e grande caneca de café puro e forte, o que me faz por alguns momentos relaxar mergulhado em meus pensamentos.

Francisco Diniz.

05/02/12

Felicidade adulta.

Um dia ouvi uma frase que guardei durante muito tempo, ela dizia: “As crianças para serem felizes precisam brincar e os adultos para também serem felizes precisam trabalhar com a mesma felicidade que brincavam quando foram crianças”.

Os seres humanos desde que nascem vivem em sociedade, começando por suas famílias e daí vão estendendo para os colegas ou amigos de condomínio, rua, bairro, escola, universidade etc. Até que chegam à vida adulta e passam a conviver com a nova família que criaram, com os amigos que fizeram pela vida e com os colegas do competitivo mundo profissional.

Quando eram crianças brincavam e nas brincadeiras se relacionavam com mais facilidade com os colegas. Isto devido ao fato de estarem felizes por fazerem realmente o que gostavam, ou seja; brincar.

Um dia eles crescem e se tornam adultos. Nesta nova fase vêm as responsabilidades, a luta pela sobrevivência, a constante competição com os colegas que hoje são adversários a serem superados. É o preço da vida adulta, um preço que muitas vezes pagam sem a felicidade vivida nos tempos das brincadeiras infantis.

Refletindo sobre a frase que motivou este texto, pergunto: E se nós conseguíssemos viver na vida adulta, principalmente no trabalho, sendo felizes como éramos quando brincávamos na infância?

Talvez a resposta passe por trabalhar fazendo o que gostamos e no que nos identificamos, seja que profissão for. Deixando as ambições pelo ter como uma consequência, dando preferência por ser feliz no trabalho e ter o que for do nosso direito e merecimento.

Quem trabalha e faz o que gosta sempre se destaca e assim será reconhecido como um bom profissional. Desta forma, ganhará o suficientemente para também ser feliz no lado importante da vida, o financeiro. Isso sem abrir mão da felicidade que é a mola propulsora para uma vida com qualidade, saúde e paz.

Ter nos dias de hoje é muito importante. No entanto, ter sem deixar de ser feliz é mais importante ainda. Se tivermos que escolher entre ter mais sendo infeliz ou ter menos sendo feliz, creio que a segunda opção seja a melhor. Afinal, não é melhor ter menos sendo feliz, que ter muito sendo infeliz!

Dinheiro compra quase tudo, até muitos momentos de felicidade. No entanto é uma felicidade efêmera, curta e momentânea. A verdadeira felicidade vem nas pequenas coisas que a vida nos oferece, às vezes imperceptíveis. Muitas vezes, para podermos percebê-las, precisamos ser utopicamente felizes durante todos os dias de nossas vidas.

Francisco Diniz.


04/02/12

Santo de casa.

Sempre ouvi dizer que santo de casa não faz milagres e com o passar dos anos aprendi que esta talvez seja uma das maiores verdades da vida.

Eu mesmo, lá no passado, fui um descrente dos milagres dos santos de casa. O resultado foi que tive que aprender com a vida, uma madrasta, as lições que minha teimosia impediu de aprender.

Pois bem, como dizia minha sábia avó; nada como um dia após o outro com uma noite no meio. O tempo passou, aprendi na vida e passei de aprendiz preguiçoso a professor sem talento.

Às vezes fico imaginando o trabalho que dei aos que me educaram, pois hoje vejo como é difícil educar e tentar mostrar o certo para um adolescente. É uma tarefa extremamente cansativa, uma vez que por mais que se fale parece que o escutador de notícias do cidadão está sempre em outra sintonia. É como se eu falasse em "AM" e ele estivesse ouvindo "FM", não entra na sua estação.

Ufa! Cansa demais falar mil vezes e ver as palavras entrarem por um ouvido e sair pelo outro. Só resta esperar que os ensinamentos fiquem um tempinho que seja no seu juízo e quem sabe um dia a ficha caia.

Mesmo assim, segundo uma amiga entendida em adolescentes, um dia a ficha cai e eles se lembram de tudo que nós “cansativamente” passamos anos falando e ensinando milhões de vezes.

Espero que ela esteja certa, ou melhor, creio que está. Se comigo um dia esta ficha caiu, ela também vai cair para quem está cansando minha falta de capacidade de me fazer entender nas tentativas de ensinar.

Francisco Diniz.

01/02/12

Viagens, bebidas e cigarros.

Em minha profissão viajo muito e nestas viagens inevitavelmente me encontro com colegas de ramo, ou melhor; concorrentes.

Como tenho por hábito manter uma convivência respeitável e cordial com meus “colegas de profissão”, vez por outra divido um almoço ou jantar na companhia deles.

Numa das viagens que fiz neste mês, estava jantando no hotel quando me deparei com dois colegas de profissão. Conversa vai e conversa vem, como sempre, me coloquei no meu hábito de observador da vida e dos seres humanos.

Um deles, diga-se de passagem, bastante fora do peso, tomava cervejas acompanhadas por batatas fritas industrializadas. O outro, mais comedido, comia pouco. No entanto fumava um cigarro atrás do outro enquanto durou nossa conversa.

Na manha seguinte, por volta das seis e meia da manhã, eu estava tomando meu café quando vi o que fumava um cigarro atrás do outro já fumando seu primeiro cigarro, mesmo antes de tomar seu café da manhã.

Tomei meu café da manhã e fui a minha velha rotina diária antes de sair para trabalhar. Neste momento passei a refletir sobre os velhos hábitos nocivos que muitos de minha geração e profissão mantêm, ou seja; tabagismo, bebidas, farras, poucas horas de sono etc.

Lembrei- me dos velhos conselhos que recebi no inicio de minha jornada profissional quando os mais antigos e experientes me diziam; cuide da sua saúde para ter disposição para o trabalho e poder trabalhar por muitos anos.

Durante anos eu vi muitos de minha profissão ficarem pelo meio do caminho. Uns se acabaram em acidentes nas estradas da vida, provavelmente causados pelo cansaço das noites insones nas farras, outros por doenças causadas em consequência da falta de cuidado com a saúde e vários por acharem que sempre teriam a mesma força e saúde para continuar fazendo suas loucuras habituais.

Quanto a mim, vou levando a vida na busca cotidiana pelo meu sustento e sempre agradecendo a Deus pela sua proteção contra a violência, acidentes e pela minha saúde.

Francisco Diniz.

27/01/12

Caminhos paralelos.

“Texto refeito”.

Um dia um amigo me disse: Nasci pelado e quando morrer vão me enterrar vestido, pois dessa vida não se leva nada a não ser como se viveu e as lembranças que deixou.

Pois bem, a cada dia a vida me ensina que as pessoas passam uns pela vida dos outros, cada um seguindo seu caminho e seu destino. Para alguns, a vida é como os trilhos dos trens que seguem paralelos rumo aos mesmos destinos sem nunca se tocarem.

Isso acontece em todos os tipos de relacionamentos. Desde simples colegas, passando por amigos e até por nossas famílias. É como se nós percorrêssemos caminhos paralelos rumo aos mesmos destinos sem procurarmos saber o que se passa com as vidas uns do outros

Quando foi que o mundo deu essa virada tomando essa direção onde as famílias perderam parte do seu significado, diminuindo seus tamanhos e importâncias, se limitando apenas nas relações entre pais, filhos e netos? Porque tios, primos e afins deixaram de ter a importância que um dia tiveram em nossas vidas? Porque as amizades passaram a se basear em interesses e não em afinidades?

Infelizmente cheguei a conclusão que só podemos contar com os pais, irmãos, cônjuges, filhos, netos e alguns poucos amigos. Quanto ao demais, devemos apenas aproveitar o tempo de convivência que tivermos com eles, vivendo cada dia como se fosse o único.

Francisco Diniz.

22/01/12

Noite de sonhos.

Uma semana daquelas de muito trabalho terminada em dois dias numa praia. O resultado, um cansaço enorme.

Volto para casa, tomo banho, almoço e durmo à tarde quase toda. Acordo com a certeza que a noite vai ser longa, que vou ter um trabalho danado para dormir, o que é um hábito.

Boto para me ocupar tentando me esquecer do sono que tenho certeza que não chegará. Ledo engano, e lá pelas nove da noite eu começo a bocejar.

O sono parece dar sinal de vida e resolvo ir dormir. Deito e logo mergulho em sono profundo, um daqueles sonos mais parecidos com o que temos depois de um porre dos brabos. Mergulho com força em todas as etapas do sono e entro noite adentro trocando de sonho. Tenho dois sonhos inteiros, do tipo longa metragem.

Assim vou de sonho em sonho varando a noite, atravessando a madrugada até que o despertador do celular tocou pontualmente às seis e trinta da manhã. Tive vontade de joga-lo na parede, no entanto me controlei e o desliguei. Pronto. . . pensei de imediato, minha bela dormida terminou.

Começo a me espreguiçar e quando menos espero mergulho novamente no sono. Mais uma vez volto a sonhar outro sonho por inteiro. Isso dura até as nove horas, quando finalmente acordo com aquela sensação descansada de quem dormiu demais. Uma preguiça enorme que me impede de me levantar sem antes espreguiçar-me várias vezes.

Lembro-me que sonhei muito, porém, não me lembro com o que sonhei, só me lembro que foram três sonhos. Creio que além do sono atrasado estava cheio de sonhos a serem sonhados.

Foi bom dormir tanto assim, preciso ter uma noite de sono dessas mais vezes. Uma noite onde dormi mais de dez horas e tive três sonhos, pena que não me lembro seus conteúdos. Mas, de uma coisa eu tenho certeza, não foram pesadelos.

Francisco Diniz.